Sábado, Novembro 13, 2004

Pois é...

Têm me perguntado o que se passa comigo, compreendo não tenho aparecido por aqui, não tenho escrito rigorosamente nada desde aquele insólito que se passou comigo. Na verdade não se passa nada físico comigo, o meu corpo está óptimo, com uns quilos a menos, é verdade, mas não estou doente. Estou cansado, aquela situação arrasou-me e agora, penso e penso, no que poderia ter sido, no que nao é, ou até mesmo no que não foi. Deixei de lhe falar, deixei de frequentar os mesmo sítios que ela, e apesar de termos amigos em comum, procuro sempre saber se ela vai jantar connosco, se ela vai ao cinema quando também me convidam. Até agora tive sorte, nunca me encontrei com ela por acaso. Mas ela não me sai da cabeça, tudo o que se passou, acho que seria capaz de oferecer a minha própria vida pra que nada se tivesse passado. Como gostaria que as coisas fossem diferentes, ou que nem sequer fossem. A ideia de que não valho nada, de que sou apenas uma marioneta nas mãos de um sádico qualquer que sorri de satisfação ao ver sofrimento alheio, sorrindo e virando a cara no mesmo minuto para provocar outra merda qualquer. Sou insignificante, é absurdo pensar que a situação me foi preparada, quando ao mesmo tempo morrem crianças à fome, a guerra continua, o número de seropositivos aumenta e o Bush é eleito... Sou apenas um número pequeno, uma formiga na imensidão que é o mundo. Um narcicista ao querer culpar alguém ou algo pelo que me aconteceu. No fundo eu sou o único culpado, e até me sinto como o Carlos da Maia, no romance de Eça de Queirós. Não tenho ouvido música, não tenho comido como deve de ser, não tenho bebido água ou qualquer outra substância que não contenha álcool. A dor continua... por vezes tento sair, tento...divertir-me, mas tudo o que se passa à minha volta me faz recordar... o cheiro dos cabelos dela, os lábios tão suaves, as pernas dela que eu passe a adorar. E tudo me passa pela cabeça a uma velocidade imensa, e sempre a regressar ao princípio. Até que tudo se transforma numa música...Present Tense. E eu lembro-me, e eu tento reger-me pelo lema, tento tatuar na minha testa que "makes much more sense to live in the Present Tense". Perdi-me, mais ninguém me conhece....a cabeça fervilha, o peso do cérebro queima. E o meu medo de futilidade surge. E pior ainda, o medo que eu faça da futilidade uma rotina e que me leve de mim mesmo. "Have you ideas on how this life ends"? Não, não as tenho, e mesmo que as tivesse não as ouvia, não as lia, não as provava. Porque a minha mera existência resume-se de momento a uma frase: "you can come to terms and realize you're the only one who cannot forgive yourself". Será?


4 Comments:

At 15 de Novembro de 2004 10:30, Blogger NR said...

É incrivel como há sempre uma música que faz sentido.
:-)

Abraço

 
At 29 de Novembro de 2004 18:51, Blogger Golfinho said...

estava preocupado contigo :)

um grande abraço

GolfinhU2

 
At 5 de Dezembro de 2004 20:19, Blogger minerva said...

estava ansiosa por terminar de ler o pensamento, pq estava curiosa com o perfil do autor, pensava eu : um tipo vivido, experiente, de abismos nos olhos ... não sei alguém que chega aqui porque já viu montanhas de "estrelas" ou que já percorreu muito "deserto". tem 22, e com isto quero dizer que pela idade não se mede o amor, agora, creio sem duvida que pode ser relativizado, o que se traduz no dia-a-dia por ter esperança e um voltar a sentir na ponta dos dedos esse desconhecido ... com ele sorrimos, sentimos "borboletas no estomago" e o mundo pula e avança (antónio gedeão).
por incrivel que pareça e por mais piroso que possa ser há na vida depressões e coisas negativas, tinha mesmo que haver. senão como é que se integrava o sofrimento na vivência pessoal? alias sem o sofrimento como é se procura o equilibrio interior?
os meandros do amor escapam-nos! são vairáveis externas. não as controlamos.é preciso perder para "saborear" a outra pessoa. sem isso não saberiamos o que é a saudade, a nostalgia, o sonho, a nossa própria sombra. a vantagem de se escrever e "postar" é terapéutca.

um beijo desconhecido :)

 
At 16 de Janeiro de 2005 01:33, Blogger Marta Peralta said...

Ola..estive ausente durante algum tempo.Mas agora voltei e dei uma vista de olhos neste teu ultimo post.Nao sou ninguem pra te aconselhar,ate porque acredito que sozinhos aprendemos a lidar e a remendar os nossos proprios erros..Só te posso dizer que estarei por aqui, caso necessites.Por mais idiota que te pareça essa necessidade, eu estarei aqui.Um beijo.

 

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